É um bebê e não um boneco

Desde menino eu sempre ouvia minha vó falando para aqueles pais que tem o hábito de brincar de jogar o bebê para cima, “isso é um bebê e não um boneco”. Eu nunca achara isso realmente perigoso pois sempre via meu pai fazendo com meus irmãos ou com sobrinhos e além da criança geralmente achar muito divertido, nunca tinha acontecido nenhum problema.

Conheço a maioria dos problemas que podem decorrer dessa brincadeira e antes de fazer isso com minha filha li muito a respeito.

Há uma síndrome chamada Síndrome do Bebê Sacudido – SBS a qual muitas pessoas associam imediatamente com a brincadeira de jogar o bebê para o alto. Lendo a respeito percebi que a SBS está associada diretamente a movimentos bruscos com o bebê, geralmente resultantes de maus tratos por parte dos cuidadores, e muito pouco relacionada a tal brincadeira.

Ciente disso, e depois que Laura já estava bem durinha, com muito cuidado, vez ou outra eu fazia essa brincadeira com ela. Para mim sempre pareceu natural apesar de ouvir a Gisele me recriminando.

Uma coisa que eu não sabia, ou até sabia mas não considerava é que Laura pudesse fazer algum movimento inesperado que eu não pudesse controlar, o que resultaria em um acidente. E foi exatamente isso que aconteceu anteontem.

Depois de brincar de jogar ela pra cima, eu estava equilibrando ela sentadinha na minha mão enquanto eu esticava o braço, e em um determinado instante ela fez um movimento brusco e bateu a boca no meu nariz. Graças a Deus com ela não ocorreu nada grave, e eu terminei com dois cortes no nariz por causa dos dentinhos dela. Ela chorou um pouco, acho que mais pelo susto e logo se acalmou e ficou querendo brincar novamente. Eu fiquei muito triste com o acontecido e fiquei encucado o dia inteiro, me culpando por não ter previsto aquilo.

Então o que aprendi é que nem tudo está sob nosso controle e coisas simples exigem atenção e moderação, e cabe a nós na condição de pais termos essa sensibilidade com nossos filhos. Não digo que nunca mais brincarei disso, mas evitarei ao máximo. O sorriso dela era o que mais me estimulava a brincar assim, mas só de pensar no que poderia ter acontecido eu prefiro nem tentar mais.

Descubra mais sobre a SBS – Síndrome do Bebê Sacudido.

Pai da Laura. Xinguarense de nascença e Palmense de coração; Analista de Sistemas e amante de tecnologias; Bombeiro Militar; Sou apaixonado por natureza, motos, viagens e aventuras.

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